O maior desafio da escrita para mim é fazer com que cada texto que eu escreva não fique parecido com uma bula de remédio ou um manual de VCR (dos velhos mesmo, sem as modernidades do plug-and-play). Fazer com que meus textos não fiquem "quadrados", truncados. Embora quando fiquem um pouco assim revelem um pouco da minha personalidade chata e prepotente. No fundinho um leve traço de "quadradice" realmente registra minha assinatura particular.
Foi quando resolvi recentemente voltar aos clássicos; voltar não, ir. Quando menino não tive o impulso natural de fazê-lo, o que abriu essa lacuna em minha formação. Quando muito tive acesso, devido aos vestibulares prestados nos anos 90, aos consagrados contos, às angústias, ou mesmo às antologias poéticas alheias. Mesmo obrigado devo hoje minha paixão por Quintana, Lispector, Graciliano ou Leminski a essa imposição dos Grandes Irmãos de plantão.
Tenho sérias dificuldades em encontrar autores meus contemporâneos ou mais jovens que me atraiam, principalmente os institucionalizados, ou seja, os que são propriedades das grandes editoras. Mas vou republicar aqui um texto com o qual tive a sorte de esbarrar recentemente. Estava eu "zapeando" de blog em blog quando o encontrei. Lendo-o tive aquela impressão de ter encontrado o que procuro nos meus próprios escritos: particularmente uma fluidez, tratando de temas pessoais que se projetam para além das identidades que retratam. Através da autorização de sua autora, Renata Checha (blog. renatachecha.com.br), aqui está ele (aqui não, ali em cima, pois coloquei em posts diferentes):
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