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sábado, 29 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Crônica do aspirador de pó
Por Renata Checha. Publicado em 08 de setembro de 2009 em http://blog.renatachecha.com.br
Já sentia há muito tempo que estava na hora de mudar de vida. Salário razoável, carro, independência, namorado de longa data e gatinho pra cuidar, provavelmente não havia mais nenhum elemento que a impedisse de seguir em frente na escala da evolução. E em toda essa nuvem de pensamentos, incertezas e expectativas, sua grande vontade era adquirir um aspirador de pó.
Era sempre muito pouco tempo pra cuidar da casa, e quando o tempo sobrava, a falta de prazer no ato era motivo para listar sempre outras prioridades. Mas era um “mal” necessário. Quem tem gato em casa sabe que é impossível apenas com uma vassoura manter toda a pelaiada que os bichanos soltam longe.
E com o respectivo mudando pra mesma cidade os planos vem, desenfreados, numa cavalgada de doces idéias. Apartamento novo, com espaço pra montar um office onde poderia guardar todas as suas baguncinhas, salinha de estar pra poder passar bons momentos com seu amor… Uma casa e o início de uma família, tudo de verdade. E no meio disso tudo, um aspirador de pó, afinal convivendo com uma outra pessoa, não podia deixar que os terríveis e assustadores pelos de gato tirassem a paz do lar.
Aí que vem a vida. Essa grande vadia cheia de surpresas, que muda destinos, favorece uns e estraçalha corações de outros. Tudo muda: as vontades mudam, os desejos mudam, os planos para o presente e futuro mudam. E os seus foram por água abaixo. O amigável apartamento de dois quartos virou um quitinete apertado e infestado de quilópodes e miriápodes. O office virou uma mesinha de computador abarrotada de papéis, infeliz algoz da escolha de ser professora. O quarto se resumiu numa cama, e quem dorme ao lado já não é mais o ser amado, e sim, os livros, revistas, catálogos de cosméticos, que o espaço reduzido não permite armazenar organizadamente. Sua única e fiel companhia é um pequeno ser de quatro patas cuja maior manifestação de carinho se traduz e longas e preguiçosas ronronadas. O destino separou os dois amantes, e sabe-se lá se um dia voltará a uní-los.
Mas a vontade e a necessidade de um bom aspirador de pó continuam. Porque a única coisa que o destino parece não querer nunca levar pra longe é o acúmulo de pó e pelos de gato.
Big Brother
O maior desafio da escrita para mim é fazer com que cada texto que eu escreva não fique parecido com uma bula de remédio ou um manual de VCR (dos velhos mesmo, sem as modernidades do plug-and-play). Fazer com que meus textos não fiquem "quadrados", truncados. Embora quando fiquem um pouco assim revelem um pouco da minha personalidade chata e prepotente. No fundinho um leve traço de "quadradice" realmente registra minha assinatura particular.
Foi quando resolvi recentemente voltar aos clássicos; voltar não, ir. Quando menino não tive o impulso natural de fazê-lo, o que abriu essa lacuna em minha formação. Quando muito tive acesso, devido aos vestibulares prestados nos anos 90, aos consagrados contos, às angústias, ou mesmo às antologias poéticas alheias. Mesmo obrigado devo hoje minha paixão por Quintana, Lispector, Graciliano ou Leminski a essa imposição dos Grandes Irmãos de plantão.
Tenho sérias dificuldades em encontrar autores meus contemporâneos ou mais jovens que me atraiam, principalmente os institucionalizados, ou seja, os que são propriedades das grandes editoras. Mas vou republicar aqui um texto com o qual tive a sorte de esbarrar recentemente. Estava eu "zapeando" de blog em blog quando o encontrei. Lendo-o tive aquela impressão de ter encontrado o que procuro nos meus próprios escritos: particularmente uma fluidez, tratando de temas pessoais que se projetam para além das identidades que retratam. Através da autorização de sua autora, Renata Checha (blog. renatachecha.com.br), aqui está ele (aqui não, ali em cima, pois coloquei em posts diferentes):
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Eureka!
Enfim, após muito refletir, descobri UMA vantagem em ter recebido uma educação formal - pública e privada - deficiente, ou arcaica: podemos sempre reinventar a roda. Eu disse podemos (e não devemos, como quase sempre ocorre). Acabo de sair de uma especialização em uma conceituada instituição privada e, mesmo nesse momento de minha formação, posso dizer que faltou algo; e esse algo parece ter sempre proporções consideráveis. Podemos enveredar por diversas áreas sempre que quisermos, e pudermos. Porém teremos sempre os mesmos desafios e obstáculos.
São modelos pedagógicos ultrapassados, instrutores que insistem em ser chamados de professores, alunos que querem saber qual nota tiraram e quando é o horário do intervalo, mas acima de tudo quando é o horário final da aula. Mais do mesmo. E eu que tenho trinta e cinco posso dizer isso há pelo menos trinta. Um meu professor me disse que lhe disseram: "Quer saber como era o Século XVII entre em uma sala de aula de hoje."
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Aqui vai um link de uma matéria publicada no jornal Zero Hora em 13/03/2010 em que o cineasta, tradutor e escritor Jorge Furtado analisa diferentes traduções brasileiras de Alice's Adventures in Wonderland, do inglês Lewis Carroll.
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/noticia/2010/03/jorge-furtado-compara-traducoes-brasileiras-de-alice-no-pais-das-maravilhas-2837581.html
Alice, atiçada por sua curiosidade, ao correr atrás de um peculiar coelho cai em sua toca, indo parar em um mundo em que a realidade parece se esticar diante de seus olhos. Animais falantes, seres antropomórficos, reinos fantásticos se descortinam através de sua ânsia em desvendar os detalhes desse novo mundo, que por vezes lhe parece tão natural,embora nonsense.
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