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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Message in a bottle #1


Uma semana bastou para que diversos eventos se descortinassem diante dos meus olhos, fazendo com que um horizonte surgisse. Não um novo horizonte, mas um horizonte simplesmente. Ele já estava lá, mas invisível. Escrevo sobre o horizonte do país - de qualquer país -, da nação - de qualquer nação; mesmo que o conceito de nação se mostre muito frágil quando nos deparamos com tragédias, problemas, ou simplesmente injustiça.

E esse conceito se desvanece quando nos encontramos diante de listas intermináveis de tragédias, problemas, injustiça. Embora sejam mais comuns listas das melhores coisas que conhecemos, ou das quais mais gostamos. Nos jornais impressos e noticiários sempre os mais vendidos, os mais votados, os mais apreciados.

A política em torno de prêmios também segue a mesma lógica. Os filmes mais, as músicas mais, os livros mais. Porém o outro lado da história raramente recebe a mesma atenção. E não me refiro aos menos isso ou menos aquilo. Refiro-me aos mais deprimentes aspectos da nossa sociedade. E sociedade em tempos de massificação dos meios de comunicação significa simplesmente todo mundo, em todos os lugares.

Eu escrevo de e sobre Curitiba, não tanto para quebrar falsas impressões, mas porque não conheço outro local sobre o qual escrever. E quando fui sintetizando elementos sobre os quais discorrer uma garrafa apenas se mostrou insuficiente para ser preenchida com todos os meus pedidos de socorro; mesmo usando apenas poucos parágrafos para citar casos independentes que presenciei.

Comecemos finalmente o texto: o que o originou foi o assassinato de uma pessoa próxima a mim. Eu não o conhecia. Ele era próximo a alguém próximo. Morte estúpida em situação esdrúxula, ele foi esfaqueado ao sair de um bar, por uma pessoa que estava em uma posição muito semelhante à sua, com uma diferença: essa pessoa portava uma arma branca que julgava inofensiva. Tão inofensiva que após esfaquear meu amigo do amigo o assassino não se deu conta de que tirara a vida de um seu semelhante, continuando sua noitada como se nada houvesse ocorrido.

Após ser informado pela imprensa sensacionalista e se assistir em programecos de TV de futuros candidatos a vereador e deputado estadual nosso anti-herói se entrega às autoridades. Respondendo em liberdade, pois segundo a legislação por ser réu primário e não apresentar riscos à sociedade ele pode ser beneficiado dessa maneira.

Fato: se somos cidadãos honrados perante a lei vale a pena corrermos o risco de esbarrarmos em alguém nas noites da cidade e, caso algo saia fora do padrão, encontrarmos uma maneira de nos livrarmos das figuras indesejadas. Não somos em momento nenhum confrontados com uma força maior do que a nossa própria consciência, que nos impeça de fazer algo que venha a prejudicar pessoas ou patrimônios. Pra tudo há remédio, até pra morte, desde que não seja a nossa.


S.O.S. porque nossos corpos...

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